Dispositivos · RDC 665

Dispositivos médicos e RDC 665/2022: o eQMS que serve

A RDC 665/2022 trouxe BPF de dispositivos médicos alinhada à ISO 13485:2016. O que muda no eQMS — DHF, risco, vigilância — e onde fornecedor tradicional não atende.

Por Immunoterapêutica202610 min de leitura

A RDC 665/2022 redesenhou o BPF brasileiro de dispositivos médicos, alinhando explicitamente à ISO 13485:2016. Empresas que vinham operando com a antiga RDC 16/2013 tiveram que repensar o sistema de qualidade — e o eQMS que servia pra farma puro frequentemente não cobre o que dispositivos exigem.

Esse artigo destila as 5 áreas onde dispositivos têm exigência específica e o que isso significa pra escolha do eQMS.

1. Design History File (DHF)

Dispositivos exigem rastreabilidade completa do projeto: do design input até o design output, com todas as revisões, verificações e validações documentadas. É o DHF — Design History File.

O que o eQMS precisa entregar:

eQMS farma puro normalmente trata documento como entidade única — DHF exige modelo de design tree.

2. Análise de risco contínua (ISO 14971)

Risco não é evento único — é processo contínuo ao longo do ciclo de vida. ISO 14971:2019 + RDC 665 exigem:

O que o eQMS precisa entregar: módulo de risco vivo, ligado a CAPA e a controle de mudança. Não tabela Excel anexa.

3. Vigilância pós-mercado e MDV

Dispositivos exigem coleta proativa de dados de campo, análise de tendência, e ações disparadas. O conceito de Medical Device Vigilance (MDV) virou parte explícita do BPF.

O que o eQMS precisa entregar:

4. UDI (Unique Device Identification)

Identificação única do dispositivo é exigência ascendente. Brasil ainda formalizando, mas mercados FDA e EU MDR já exigem.

O que o eQMS precisa entregar: rastreabilidade até nível de unidade vendida, com associação a histórico de produção, retenção, e reclamação.

5. Validação de software (Cat 5 do GAMP)

Dispositivos com software embarcado (SaMD — Software as a Medical Device, ou SiMD — Software in a Medical Device) exigem validação Cat 5, com SDLC formal, code review, testes unitários documentados. O eQMS precisa gerenciar o DHF do próprio software como artefato regulado.

O que muda em relação ao eQMS farma puro

ÁreaFarma puroDispositivos (RDC 665)
DocumentoVersionado linearDesign tree com input/output
RiscoICH Q9 (processo)ISO 14971 (produto + processo)
Pós-mercadoFarmacovigilânciaMDV + Vigilância de campo
IdentificaçãoLoteUDI + lote + serial

Onde os enterprise atendem (ou não)

MasterControl historicamente atende bem dispositivos (forte tradição em FDA QSR / ISO 13485). Veeva tem módulo específico mas pacote ainda em maturação. Players nacionais brasileiros raramente atendem dispositivos out-of-the-box.

Pra dispositivo médico de médio porte BR (10-150 funcionários), o caminho honesto é:

  1. MasterControl (caro, mas atende) — TCO R$ 800k-2M ano 1
  2. Plataforma vertical de dispositivos (Greenlight Guru, etc — geralmente em dólar)
  3. NOAH OS com módulo dispositivos ativado (categoria 4 brasileira)

Como o NOAH atende

NOAH OS tem módulo dispositivos (Tier 2) com DHF + ISO 14971 + MDV configurados. Roteiro de validação adicional pra Cat 5 do software embarcado quando aplicável. Veja o panorama de fornecedores pra encaixe.

Em uma linha

RDC 665/2022 alinhou BPF brasileiro de dispositivos à ISO 13485:2016. eQMS farma puro não atende — precisa DHF, ISO 14971 viva, MDV, UDI, e validação de SaMD. Pra dispositivo médio porte BR, NOAH OS (com módulo dispositivos) é a categoria 4 que faz a economia funcionar.

Veja o NOAH com módulo dispositivos

Em 30 min mostramos DHF + ISO 14971 + MDV configurados no NOAH — pacote Tier 2 voltado pra fabricante de dispositivos brasileiro.

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