Análise de causa raiz que aguenta inspeção ANVISA
5 Porquês isolado não basta. Inspetor experiente quer ver Ishikawa + 5 Porquês + barreira/defesa. Como estruturar a investigação pra fechar achado com a causa de verdade.
Quase toda CAPA reprovada em inspeção ANVISA cai pelo mesmo motivo: análise de causa raiz superficial. "Treinamento" como causa raiz é a desculpa preferida — e o inspetor sabe que treinamento raramente é a raiz de verdade.
Esse artigo destila as 3 técnicas que, combinadas, sustentam uma RCA defensável: Ishikawa, 5 Porquês, e Barrier/Defense Analysis.
Por que 5 Porquês sozinho não basta
5 Porquês é poderoso, mas tem dois problemas quando usado isolado:
- Linear demais: só explora uma cadeia causal de cada vez, ignorando que problemas reais têm múltiplas causas
- Tendencioso: a primeira "resposta" enviesa toda a investigação
Por isso o investigador experiente usa 5 Porquês depois de ter mapeado as categorias de causa via Ishikawa.
Ishikawa: o mapa do território
Ishikawa (espinha-de-peixe) organiza causas em categorias. As mais usadas em farma:
- Pessoas: qualificação, treinamento, fadiga, comunicação
- Procedimento: SOP ausente, ambíguo, desatualizado, ou não seguido
- Equipamento: falha, manutenção, calibração
- Material: qualidade do insumo, fornecedor, armazenamento
- Método: processo mal desenhado, validação fraca
- Ambiente: temperatura, umidade, contaminação
- Medição: instrumento, método analítico, sensibilidade
O time investiga cada categoria — não pra responder, mas pra levantar hipóteses. Depois disso, aplica 5 Porquês em cada hipótese viável.
5 Porquês: ir até a barreira
O critério pra parar de perguntar "por quê?" não é cansaço — é chegar numa causa que tem uma barreira controlável. Exemplo de cadeia:
- Por que o operador errou o peso? Porque leu o display errado.
- Por que leu errado? Porque a iluminação local era ruim.
- Por que era ruim? Porque a luminária estava queimada há 2 semanas.
- Por que ficou queimada? Porque a manutenção não atendeu o chamado.
- Por que não atendeu? Porque o chamado foi classificado como "baixa prioridade" sem critério escrito.
A causa raiz não é "operador errou". É "processo de classificação de prioridade de chamado de manutenção em área crítica é informal e subjetivo". Aí cabe ação corretiva (criar critério escrito + treinamento dos triagistas + revisão semanal de chamados em área GxP).
Barrier/Defense Analysis: o que deveria ter pegado
Pra cada incidente, pergunta: quais barreiras existiam e por que falharam?
Barreiras típicas em farma:
- Procedimentos escritos
- Treinamento
- Sistemas com travas técnicas (workflow, two-person rule)
- Conferência cruzada
- Inspeção visual
- Alarmes/notificações
- Auditoria interna
Se 5 barreiras falharam em sequência, a causa raiz não é a quinta — é a fragilidade do desenho que permitiu uma única falha derrubar tudo.
O check do inspetor
Inspetor experiente lê a investigação e faz 3 perguntas:
- "A causa raiz identificada explica por que esse incidente aconteceu e não aconteceu nos lotes anteriores?"
- "A ação corretiva, se aplicada antes, teria evitado esse incidente?"
- "A ação corretiva muda o sistema ou depende de comportamento humano novo?"
Se a resposta da 3 é "depende de treinamento", a investigação geralmente é frágil — porque treinamento já existia antes do incidente. A ação tem que mudar o sistema ou a barreira, não esperar que a pessoa lembre.
Como o eQMS ajuda
Um eQMS sério ajuda a RCA de 3 formas:
- Templates de Ishikawa e 5 Porquês embutidos no fluxo da investigação
- Trilha de evidência (quem investigou, quando, o que olhou)
- Vínculo direto entre causa raiz, ação corretiva, eficácia e fechamento
Veja como conectar isso ao CAPA que fecha de verdade.
RCA defensável combina Ishikawa (mapa do território), 5 Porquês (cadeia causal), e Barrier Analysis (por que as defesas falharam). Causa raiz "treinamento" sem barreira de design vai voltar como recorrência no próximo lote.
Veja o NOAH na investigação
Em 30 min mostramos o fluxo de RCA no NOAH com Ishikawa + 5 Porquês + barreiras, vinculados à CAPA e fechados com evidência de eficácia.
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